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O que é capital de giro e qual é a sua importância?

O capital de giro é uma medida fundamental de liquidez e saúde financeira para empresas de qualquer porte. Ele representa os recursos financeiros necessários para que uma empresa mantenha suas operações diárias, cobrindo despesas de pagamentos, como os de fornecedores, salários dos funcionários, impostos e outras obrigações de curto prazo. Em outras palavras, o capital […]

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O que é capital de giro e qual é a sua importância?

O capital de giro é uma medida fundamental de liquidez e saúde financeira para empresas de qualquer porte. Ele representa os recursos financeiros necessários para que uma empresa mantenha suas operações diárias, cobrindo despesas de pagamentos, como os de fornecedores, salários dos funcionários, impostos e outras obrigações de curto prazo. Em outras palavras, o capital de giro é o combustível que mantém o negócio funcionando no dia a dia.

Para as empresas, especialmente em tempos de incerteza econômica, o capital de giro pode ser o fator determinante entre alcançar o crescimento sustentável ou enfrentar dificuldades financeiras. Portanto, entender o que é o capital de giro, como calculá-lo e como gerenciá-lo adequadamente, pode melhorar significativamente a resiliência e a competitividade de uma empresa.

Como calcular o capital de giro?

O capital de giro é definido como a diferença entre os ativos circulantes operacionais e os passivos circulantes operacionais de uma empresa. Ele reflete o volume de recursos disponíveis para cobrir as obrigações de curto prazo relacionadas às operações do negócio. De maneira direta, podemos calcular o capital de giro da seguinte forma:

Capital de giro = Ativos circulantes operacionais – Passivos circulantes operacionais

Agora que entendemos o raciocínio por trás do cálculo, é importante compreender o que são e o que englobam esses ativos e passivos.

Exemplos de ativos e passivos circulantes operacionais

Os ativos circulantes operacionais são recursos de curto prazo, diretamente ligados às atividades principais da empresa. Alguns exemplos são:

  • Contas a receber: valores a receber de clientes por vendas de produtos ou serviços.
  • Estoques: mercadorias ou matérias-primas destinadas à venda ou à produção.
  • Despesas antecipadas operacionais: pagamentos efetuados antecipadamente por serviços operacionais, como seguros e aluguéis relacionados às atividades-fim.
  • Inclusão de outras contas, como tributos a recuperar, adiantamentos a fornecedores, etc.

Já os passivos circulantes operacionais são obrigações de curto prazo originadas das operações da empresa, tais como:

  • Contas a pagar: despesas com fornecedores de matérias-primas ou mercadorias.
  • Salários e encargos sociais a pagar: obrigações com funcionários referentes à folha de pagamento.
  • Impostos e contribuições a recolher: tributos decorrentes das atividades operacionais.
  • Adiantamentos de clientes: valores recebidos antecipadamente por produtos ou serviços a serem entregues.

Exemplo de cálculo de capital de giro

Exemplo de cálculo de capital de giro

A importância do capital de giro para a saúde financeira da empresa

A gestão eficaz do capital de giro é essencial para garantir a continuidade operacional de uma empresa e promover o seu crescimento. Um capital de giro positivo indica que a empresa possui mais ativos circulantes do que passivos, o que sugere uma boa liquidez e capacidade de cumprir com suas obrigações de curto prazo sem dificuldades. Além disso, um capital de giro positivo também permite à empresa aproveitar oportunidades de investimento e expansão, utilizando seus próprios recursos em vez de recorrer a empréstimos.

Por outro lado, um capital de giro negativo é um sinal de alerta, indicando que a empresa pode não ter recursos suficientes para cobrir suas despesas operacionais e pode enfrentar dificuldades para crescer ou até mesmo para se manter solvente. Em muitos casos, a ausência de capital de giro adequado pode levar a uma crise de liquidez, comprometendo seriamente a capacidade da empresa de operar de maneira sustentável.

Se você quer fortalecer a saúde financeira da sua empresa, aprimorar suas habilidades de gestão e aprender as principais práticas para melhorar a liquidez do seu negócio, confira estes dois artigos: Saúde financeira: indicadores de alavancagem, liquidez e solvência e 9 dicas de gerenciamento do capital de giro.

Estratégias de gestão do capital de giro

A gestão eficiente do capital de giro envolve o controle equilibrado dos ativos e dos passivos circulantes para assegurar que a empresa tenha caixa suficiente para suas operações. Aqui estão algumas estratégias práticas para otimizar o capital de giro:

  • Gestão de contas a receber: implementar políticas de crédito eficazes para garantir o recebimento das vendas a prazo. O aprimoramento das práticas de cobrança pode reduzir o Days Sales Outstanding (DSO), ou seja, o tempo médio de recebimento, contribuindo para o aumento do fluxo de caixa disponível. O objetivo é manter o DSO baixo para acelerar o recebimento e, assim, melhorar a liquidez.
  • Gestão de estoques: manter níveis adequados de estoque para atender à demanda sem excesso de inventário, o que pode imobilizar o capital. Aqui, o Days Inventory Outstanding (DIO), ou tempo médio de armazenamento do estoque, é uma métrica fundamental. Reduzir o DIO significa que o estoque está sendo vendido rapidamente, o que ajuda a minimizar os custos de armazenagem e a maximizar a rotatividade dos produtos.
  • Gestão de contas a pagar: negociar prazos de pagamento com fornecedores para otimizar o fluxo de caixa e evitar pagamentos antecipados. O Days Payable Outstanding (DPO), ou prazo médio de pagamento a fornecedores, é uma métrica essencial para prolongar o uso do caixa sem impactar o relacionamento com os fornecedores. Um DPO mais alto indica que a empresa está mantendo o capital em caixa por mais tempo, o que pode ser vantajoso para o fluxo de caixa, desde que seja gerido de forma estratégica.

Para aqueles que buscam expandir seus conhecimentos e dominar estratégias avançadas de gestão, o curso Ciclos e Capital de Giro – EAD da BLB Escola de Negócios oferece uma visão completa sobre o tema. Nele, é possível estudar os principais aspectos do capital de giro e entender como ele impacta diretamente o ciclo financeiro de uma empresa.

Finanças Corporativas

Ciclo de capital de giro

O ciclo de capital de giro, também conhecido como ciclo de conversão de caixa (CCC), mede o tempo que uma empresa leva para transformar seu inventário em caixa. Esse ciclo considera o período desde a aquisição do estoque até o recebimento do pagamento dos clientes. A fórmula do ciclo de capital de giro é a seguinte:

Ciclo de capital de giro = Ciclo de inventário + Ciclo de contas a receber – Ciclo de contas a pagar

Relembrando a explicação dos componentes do ciclo:

  • Ciclo de inventário (Days Inventory Outstanding – DIO): tempo médio que o estoque permanece armazenado antes de ser vendido. Um DIO mais curto indica uma rotação de estoque mais rápida.
  • Ciclo de contas a receber (Days Sales Outstanding – DSO): tempo médio que a empresa leva para receber o pagamento dos clientes após a venda. Reduzir o DSO é essencial para aumentar o fluxo de caixa.
  • Ciclo de contas a pagar (Days Payable Outstanding – DPO): tempo médio que a empresa tem para pagar seus fornecedores. Um DPO mais longo permite que a empresa retenha o caixa por mais tempo, otimizando o uso de seus recursos.

O ciclo de capital de giro indica a rapidez com que a empresa consegue converter seus ativos em caixa, sendo essencial para avaliar a eficiência operacional e de liquidez. Quanto menor o CCC, mais eficiente é a conversão do capital em caixa.

Para facilitar a aplicação dos conceitos apresentados, disponibilizamos aqui uma planilha editável na qual é possível calcular o capital de giro e seus ciclos de conversão, incluindo os Days Ratios (DSO, DIO e DPO), com os valores reais de sua empresa. Com ela, você poderá visualizar de forma prática e automatizada como esses índices impactam diretamente o fluxo de caixa e a liquidez da sua empresa.

Capital de giro negativo: quando pode ser uma estratégia vantajosa?

Embora um capital de giro negativo seja geralmente interpretado como um sinal de alerta, indicando possível falta de recursos para cobrir obrigações de curto prazo, algumas empresas conseguem operar de forma altamente eficiente e até lucrativa nessa condição.

Ter um capital de giro negativo significa, essencialmente, que a empresa possui mais passivos circulantes do que ativos circulantes. No entanto, esse cenário pode ser vantajoso para as empresas que possuem um ciclo de caixa rápido e um modelo de negócios voltado ao recebimento imediato de receitas, enquanto conseguem negociar prazos mais longos para pagar fornecedores.

Um exemplo notável desse tipo de modelo é o McDonald’s. Essa famosa cadeia de fast-food consegue manter um capital de giro negativo de forma sustentável graças ao seu forte poder de barganha e ao seu modelo de negócios voltado ao consumidor final. No caso do McDonald’s, a receita é obtida rapidamente, uma vez que a empresa recebe o pagamento diretamente dos clientes no momento da venda, seja em dinheiro, seja em cartão.

Por outro lado, o McDonald’s negocia prazos maiores com seus fornecedores para o pagamento de mercadorias e insumos. Essa diferença permite que o McDonald’s utilize o dinheiro dos clientes para financiar suas operações diárias antes de precisar desembolsar o pagamento aos fornecedores.

Essa estrutura cria uma vantagem financeira significativa, pois o McDonald’s não precisa depender de grandes volumes de capital próprio ou de empréstimos para cobrir as despesas operacionais. Em vez disso, a empresa utiliza o fluxo de caixa gerado pelas vendas para financiar suas operações. Além disso, a alta rotatividade de estoque no setor de alimentos, especialmente em uma rede de fast-food, permite que a empresa minimize a quantidade de capital parado em estoque, acelerando o ciclo de conversão de caixa.

Veja abaixo o capital de giro do McDonald’s nos últimos anos:

Capital de giro do McDonald’s nos últimos anos

Esse modelo de capital de giro negativo é comum em empresas de setores de varejo e alimentação que atendem diretamente ao consumidor e possuem forte poder de negociação com fornecedores. Empresas como o McDonald’s conseguem aproveitar o capital de giro negativo para manter alta liquidez e minimizar a necessidade de financiamento externo. Esse modelo é ideal para negócios que têm um fluxo de caixa constante e podem receber antecipadamente em relação aos pagamentos de seus passivos, como contas a pagar e outras obrigações de curto prazo.

No entanto, essa estratégia exige um equilíbrio cuidadoso: a empresa deve ter garantias de uma receita constante e relações sólidas com seus fornecedores para evitar que uma eventual queda de receita ou uma mudança nos termos de pagamento cause uma crise de liquidez.

Limitações do capital de giro

Apesar de ser uma métrica importante, o capital de giro possui algumas limitações. Em primeiro lugar, ele é altamente sensível a variações nos ativos e nos passivos de curto prazo, o que significa que mudanças sazonais ou inesperadas podem impactar o capital de giro. Além disso, o capital de giro não leva em conta os direitos e as obrigações de longo prazo da empresa, podendo trazer uma falsa impressão de saúde financeira, especialmente para empresas em crescimento acelerado.

Por que é essencial para pequenas e médias empresas

Para pequenas e médias empresas, o capital de giro se torna ainda mais importante. Geralmente, esse tipo de negócio tem menos acesso a financiamentos externos e precisa confiar em seus próprios recursos para expandir. Além disso, o capital de giro permite que essas empresas enfrentem períodos de baixa receita, aumentem a produção em momentos de alta demanda e aproveitem oportunidades de desconto ao comprar em grandes quantidades.

Como pode garantir a saúde e o crescimento da sua empresa

O capital de giro é, em suma, a espinha dorsal da liquidez e da eficiência operacional de qualquer empresa. O gerenciamento adequado do capital de giro permite à empresa manter uma operação saudável, evitar endividamentos excessivos e investir no próprio crescimento. Para isso, é essencial monitorar constantemente os fluxos de caixa e ajustar as estratégias de gestão.

No Grupo BLB, contamos com uma equipe de profissionais especializados — incluindo contadores, economistas, auditores e consultores —, prontos para criarem soluções personalizadas para o seu negócio. Descubra como a nossa assessoria pode fortalecer a resiliência financeira de sua empresa e prepará-la para um crescimento sustentável e seguro.

Conheça nossos serviços de consultoria em Finanças e nossa plataforma de educação corporativa para maximizar as operações da sua empresa.

Autoria de Gustavo Ferreira e revisão técnica de Raphael Bloch
Consultoria em Finanças e M&A
BLB Auditores e Consultores 

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Princípios de estratégia em M&A e a análise de relevantes aquisições recentes

Um dos aspectos mais relevantes para um M&A é a sua motivação, que determina a possibilidade de ganho em sinergias, o prazo aceitável para retorno do investimento, os múltiplos pagos e a disposição para melhorar a oferta. Essa etapa representa, na realidade, a estratégia que precede ao ato de abordagem definido pelas empresas.   Levando isso […]

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Princípios de estratégia em M&A e a análise de relevantes aquisições recentes

Um dos aspectos mais relevantes para um M&A é a sua motivação, que determina a possibilidade de ganho em sinergias, o prazo aceitável para retorno do investimento, os múltiplos pagos e a disposição para melhorar a oferta. Essa etapa representa, na realidade, a estratégia que precede ao ato de abordagem definido pelas empresas.  

Levando isso em consideração, é importante, primeiramente, diferenciar a abordagem dos investidores estratégicos da dos investidores institucionais. De um lado, há os investidores estratégicos, que já atuam na indústria ou em empresas correlatas do mesmo setor. Nesse aspecto, avalia-se principalmente o potencial de sinergias do novo investimento e as formas com que esse investimento pode gerar ganhos para além do lucro.  

Um exemplo claro é a compra recente de grandes estúdios de jogos e filmes por empresas detentoras de serviços de streaming. Nesses casos, o principal ativo analisado é a possibilidade de obter ganhos com a exclusividade de determinados produtos, motivando, assim, aquisições de valores elevados para fortalecer o poder de barganha com o consumidor. 

Do outro lado, há os investidores institucionais, que precisam gerar resultados para os seus shareholders, culminando em incentivos diretos para a compra de empresas que proporcionem retornos no curto e médio prazo, atendendo, assim, as preferências temporais de todos os interessados. Porém, a escolha deve ser cuidadosa, pois empresas rentáveis no curto prazo nem sempre serão capazes de manter seu modelo de negócios ao longo do tempo, podendo prejudicar a rentabilidade futura e não possibilitando o mantenimento da sustentabilidade operacional.  

Estratégia em M&A e pensamento de longo prazo 

As estratégias mais comuns de longo prazo consistem em identificar sinergias e oportunidades de crescimento que se mantenham apesar das adversidades. Esse tipo de visão busca, principalmente, a evolução do processo operacional de modo que, ao longo dos anos, as sinergias atinjam seu potencial máximo e o investimento realizado venha a se pagar.  

Na prática, empresas que adquirem seus fornecedores, verticalizando o negócio, têm o potencial de reduzir custos e minimizar o risco operacional em relação ao aumento de preços de fornecedores, melhorando, consequentemente, suas margens. 

Nesse tipo de aquisição, a empresa se consolida no setor e pode explorar opções mais rentáveis, concentrando seus investimentos na melhoria do produto gerado pelo fornecedor e na valorização do produto final.   

Essa estratégia também se mostra interessante quando aplicada sobre players que atuam no mesmo setor, buscando apenas a expansão territorial ou o ganho da carteira de clientes. Um exemplo é a aquisição e a consolidação do setor de revendas agrícolas, que permitiu um maior poder de barganha entre as revendas. 

Como pertencem aos mesmos acionistas, o poder de solicitar preços mais convidativos para os insumos fez com que os fornecedores abaixassem os preços e firmassem contratos mais vantajosos com as revendas sob o pretexto de que, caso os preços não fossem interessantes, o principal fornecedor poderia ser o concorrente, prejudicando as receitas. 

Dessa forma, a redução de custos e o aumento de ganhos, assim como a possibilidade de obter maior poder de barganha e de adentrar em novos e rentáveis mercados, são ótimos motivos para aquisições de longo prazo. Afinal, essas aquisições não focam apenas no status atual do negócio, mas, sim, em seu potencial de aprimoramento e na geração de benefícios tanto para a empresa adquiridora quanto para a empresa adquirida, criando as chamadas sinergias operacionais. 

Estratégia em M&A e pensamento de curto e médio prazos 

A estratégia de curto prazo, por sua vez, foca em movimentos rápidos de mercado que permitam ganhos em um intervalo de 1 a 5 anos. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de aquisições estratégicas para aproveitar uma onda de interesse do mercado, como as aquisições de corretoras de criptomoedas em 2020 e 2021, visando aumentar ao máximo o número de clientes e capturar ganhos em corretagem de um mercado muito aquecido. 

De forma alternativa, essa estratégia pode envolver aquisições para evitar problemas futuros iminentes, como no caso de grandes grupos petrolíferos adquirindo outras empresas no setor de energias para garantir ganhos mesmo diante da instabilidade dos preços dos produtos. 

Em suma, as aquisições de curto e médio prazo não visam negócios com perspectivas de crescimento futuro, mas, sim, empresas que já estejam entregando grandes resultados e com potencial de gerar retornos para o presente. Dessa maneira, as aquisições permitem negociar bons múltiplos para pressionar rápidas negociações, minimizando as margens para contrapropostas e estratégias que possam retardar esse processo.  

Recentemente, esse movimento foi observado na competição por aquisições de serviços de streaming, em que fusões resultaram na criação de gigantes inabaláveis do mercado que passaram a pressionar os portfólios de outros players. Isso gerou uma urgência para que esses concorrentes buscassem novas aquisições, a fim de manter sua posição e relevância perante os consumidores. 

Como empresas vencedoras fazem negócios 

O processo ideal para identificar um bom negócio reside na compreensão das motivações, como foi tratado no artigo “7 principais motivos para fazer fusões e aquisições”, publicado aqui no blog da BLB. 

A arte de observar tanto as necessidades da empresa quanto as movimentações de mercado permite que o processo de M&A seja aproveitado ao máximo, de modo que o valor das firmas a serem adquiridas seja adequadamente identificado. Isso não apenas gera maior satisfação para os vendedores, mas também resulta em ganhos significativos em sinergia ao longo do processo de integração do novo negócio. 

Quando realizado no momento certo e baseado nas motivações adequadas, o M&A tem a capacidade de gerar ganhos para todos os envolvidos. Nesse contexto, o papel dos assessores, tanto dos compradores quanto dos vendedores, é crucial. Devido à sua expertise na área, esses profissionais podem oferecer conselhos valiosos e fornecer aos seus representados estratégias contratuais para garantir a melhor relação risco-retorno da transação. 

Quando a aquisição de empresas se torna a melhor das opções 

Muito se discute sobre a escolha entre desenvolver internamente uma empresa focada em um negócio estratégico ou adquirir uma empresa já estabelecida. A favor das fusões e aquisições (M&A), comprar uma empresa com uma equipe especializada pode ser crucial para o sucesso da operação. 

De fato, adquirir uma empresa que já possui uma equipe criativa pode agregar valor significativo ao processo de tomada de decisão no novo mercado. Isso pode proporcionar uma vantagem competitiva imediata, aproveitando a expertise e as inovações já desenvolvidas pela empresa adquirida.  

Por outro lado, um dos principais argumentos contra a M&A é que, muitas vezes, as condições atuais do mercado aumentam os preços das aquisições. Para justificar o alto custo da aquisição, o prazo de retorno do investimento para o comprador pode ser extremamente longo, às vezes superior a dez anos. Essa situação é agravada pela incerteza econômica, que pode tornar as projeções de retorno ainda mais incertas e arriscadas. Além disso, o processo de integração de uma nova empresa pode ser complexo e dispendioso, exigindo tempo e recursos para alinhar culturas organizacionais e sistemas operacionais. 

Portanto, o momento oportuno da aquisição é crucial na tomada de decisão. Em muitas situações, pode ser mais interessante fazer propostas atrativas para que os CEOs de outras empresas migrem para um novo negócio, em vez de realizar uma oferta para comprar a empresa inteira. 

Essa abordagem pode ser menos onerosa e permitir a captura de talentos e ideias sem os custos associados à compra total de uma empresa. Assim, a decisão depende da perspectiva e da estratégia da empresa investidora, considerando fatores como a prontidão para integrar novas equipes e a capacidade de gerenciar mudanças significativas. 

Adicionalmente, a empresa investidora deve avaliar o mercado-alvo e a concorrência para determinar a melhor abordagem. O desenvolvimento interno permite maior controle sobre a inovação e a cultura corporativa, enquanto a aquisição pode oferecer uma entrada mais rápida e robusta em novos mercados. A escolha entre essas estratégias deve ser baseada em uma análise cuidadosa dos objetivos de longo prazo da empresa, assim como dos recursos disponíveis e das condições do mercado. 

Em resumo, tanto o desenvolvimento interno quanto as aquisições têm seus méritos e desafios. A escolha entre essas estratégias requer uma análise detalhada das circunstâncias específicas da empresa e do mercado em que opera. A avaliação cuidadosa do momento oportuno, dos custos e dos benefícios potenciais é essencial para tomar a decisão que melhor se alinhe com os objetivos estratégicos da empresa. 

Estudos de caso 

Buscando evidenciar esse processo de tomada de decisões, faz-se necessário olhar alguns exemplos práticos de casos de M&A que ocorreram na última década, a fim de ilustrar e esclarecer os conceitos abordados acima. 

Aquisição visando ao aumento de portfólio de produtos 

Fundada em 1994 por Jeff Bezos, a Amazon é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Desde 2006 tinha em seu portfólio produtos como o Amazon Unbox e o Amazon Video on Demand, que serviam como um serviço online de streaming em uma época em que tal modelo de negócios concorria fortemente com locadoras locais e a pirataria. 

Após vários anos de seu início, os serviços online de streaming foram se popularizando e uma intensa disputa se acirrou entre grandes plataformas. Para se destacar, em 2022 a Amazon anunciou a compra do famoso estúdio de cinema MGM por US$ 8,5 bilhões.  

Com quase um século de história no cinema, a MGM complementa o trabalho da Amazon Studios, que se concentrou principalmente na produção de programas de TV, trazendo um leque maior de público para produções originais da plataforma. Assim, a motivação principal para essa aquisição foi a de preservar a herança e o catálogo de filmes da MGM, permitindo aos clientes da Amazon acesso a essas obras. Por meio dessa aquisição, a Amazon acredita que a MGM poderá continuar a fazer o que faz de melhor: a criação de ótimas narrativas. 

Além disso, a MGM possui mais de 4 mil filmes em seu catálogo, como James Bond, Legalmente Loira, Rocky, Silêncio dos Inocentes, Thelma & Louise, bem como 17 mil programas de TV, incluindo Fargo, The Handmaid’s Tale e Vikings. Esses programas e filmes ganharam coletivamente mais de 180 Oscars e 100 Emmy. Nesse contexto, Mike Hopkins, vice-presidente sênior da Prime Video e Amazon Studios, afirma que o valor financeiro real por trás desse negócio é o catálogo da MGM. Ele ressalta que a intenção é reimaginar e desenvolver esse catálogo junto com a talentosa equipe do estúdio, o que abre inúmeras oportunidades para criar histórias de altíssima qualidade. 

Outro exemplo que pode ser mencionado é o da Heinz, controlada pelo 3G Capital, do trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, em parceria com o megainvestidor Warren Buffett. Recentemente, eles adquiriram a Kraft, uma das maiores empresas de alimentos processados do mundo, visando expandir e diversificar seu portfólio. A aquisição resultou na formação da Kraft Heinz Company, em que a Heinz controla 51% das ações e a Kraft detém os 49% restantes. Os acionistas da Kraft receberam um dividendo especial de US$ 16,50 por ação. 

As implicações dessa aquisição são significativas. A fusão permitiu que a empresa combinada se beneficiasse de economias de escala, resultando em custos operacionais mais baixos. Além disso, a Kraft Heinz agora possui um portfólio de produtos mais diversificado, abrangendo várias categorias de alimentos processados. Isso permite que a empresa atenda a uma gama mais ampla de preferências do consumidor e se adapte melhor às mudanças nas tendências do mercado. 

No entanto, a aquisição também apresentou desafios. Integrar duas grandes organizações pode ser complexo e demorado, que requer a harmonização de culturas corporativas, sistemas e processos. Além disso, a empresa combinada pode enfrentar uma concorrência intensa em suas várias linhas de produtos. Ainda assim, a aquisição da Kraft pela Heinz representa um marco importante na indústria global de alimentos processados. 

Aquisição visando adquirir tecnologia e know-how 

A Mobileye, líder global no desenvolvimento de visão computacional e aprendizado de máquina, responsável por 70% do mercado global de sistemas avançados de assistência e anticolisão, foi adquirida pela Intel, gigante norte-americana de tecnologia, pela quantia de aproximadamente US$ 15.3 bilhões. 

A principal motivação para essa aquisição foi acelerar as inovações para a indústria automotiva e posicionar a Intel como uma provedora líder de tecnologia no mercado de rápido crescimento de veículos autônomos. A Intel estima que o mercado de sistemas de veículos, dados e serviços possa movimentar US$ 70 bilhões até 2030. 

A aquisição combinou as melhores tecnologias de ambas as empresas, abrangendo conectividade, visão computacional, data center, fusão de sensores, computação de alto desempenho, localização e mapeamento, aprendizado de máquina e inteligência artificial. Juntas, a Intel e a Mobileye esperam entregar soluções de direção que transformarão a indústria automotiva. 

A combinação da expertise em visão computacional da Mobileye com a expertise da Intel em computação de alto desempenho e conectividade desenvolverá soluções de direção automatizadas, abrangendo desde a nuvem para gerenciamento de dados até a implementação de tecnologias para automóveis. Além disso, a Intel espera que a transação aumente imediatamente seus lucros por ação, bem como seu fluxo de caixa livre. 

Outra aquisição focada no aspecto intangível do know-how foi a do Instagram, empresa criada por Kevin Systrom e Mike Krieger em 2010, cuja criação buscava simplificar e aprimorar a forma como as pessoas compartilhavam momentos de suas vidas online. O Instagram preencheu a lacuna visual, proporcionando aos usuários uma maneira rápida e fácil de capturar, aprimorar e compartilhar imagens. 

Em 2012, o Facebook adquiriu o Instagram por aproximadamente 1 bilhão de dólares. Mark Zuckerberg, CEO do Facebook na época, reconheceu o potencial do Instagram e viu oportunidades únicas para sinergias entre as duas plataformas. Assim, a aquisição foi motivada por uma combinação de fatores estratégicos, que visavam não apenas expandir o alcance e a presença do Facebook no cenário das mídias sociais, mas também capitalizar sobre o rápido crescimento e a popularidade do Instagram na época. 

O know-how da equipe do Instagram em design de aplicativos móveis e engajamento do usuário foi um dos principais atrativos para o Facebook. Kevin Systrom trouxe sua experiência em programação e design para o núcleo da plataforma, enquanto Mike Krieger contribuiu com sua perícia técnica e paixão pelo design para a construção do Instagram. Sua habilidade em traduzir a visão de Systrom em uma plataforma funcional solidificou a dupla como arquitetos do sucesso do Instagram.  

Aquisição visando entrar em novos mercados 

A BP, uma das maiores empresas de energia do mundo, adquiriu a Chargemaster, o maior nome em carregamento de veículos elétricos (EV) do Reino Unido. A motivação por trás dessa aquisição foi a crescente demanda e adoção de veículos elétricos ao redor do mundo. A BP prevê que o número de EVs nas estradas aumentará rapidamente nas próximas décadas. Em 2040, a BP estima que haverá 12 milhões de EVs nas estradas do Reino Unido, um aumento significativo em relação aos cerca de 135 mil em 2017. 

A aquisição da Chargemaster é um passo importante para a BP se tornar a principal fornecedora de energia para veículos de baixo carbono, tanto para carregamento em vias públicas e estradas quanto nas residências. A BP acredita que o carregamento rápido e conveniente é fundamental para apoiar a adoção bem-sucedida de veículos elétricos. Com a aquisição, a Chargemaster foi renomeada para BP Chargemaster. 

Nesse contexto, as implicações dessa aquisição são significativas. A BP Chargemaster planeja implementar uma infraestrutura de carregamento ultrarrápido, incluindo carregadores rápidos de 150kW capazes de fornecer 160 km de alcance em apenas 10 minutos. Tal implementação traz mais agilidade ao carregamento, eliminando um dos grandes problemas com carros elétricos: a redução de sua utilidade para a vida cotidiana devido à dificuldade em seu carregamento, principalmente pelo tempo que ele demora para ser carregado. 

Clientes da BP no Reino Unido podem esperar acessar os carregadores da BP Chargemaster nos postos de gasolina da BP nos próximos 12 meses. Além disso, a Chargemaster, que opera a maior rede pública de pontos de carregamento de EVs no Reino Unido, com mais de 6.500 em todo o país, continuará a projetar, construir, vender e manter unidades de carregamento de EVs para uma ampla gama de locais, incluindo o carregamento doméstico.  

Aquisição visando à redução de custos operacionais 

A aquisição da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) pela ArcelorMittal, que envolveu a Vale, é um exemplo interessante de verticalização. A Vale, em conjunto com seus sócios Posco Holding Inc. e Dongkuk Steel Mill, assinou um acordo vinculante com a ArcelorMittal para a venda de suas participações na CSP. O valor da transação foi de aproximadamente US$ 2,2 bilhões. 

A CSP é uma operação de classe mundial que produz placas de alta qualidade a um custo globalmente competitivo. Sua instalação, localizada no estado do Ceará, foi comissionada em 2016. Ela opera um alto-forno com capacidade de 3 milhões de toneladas, tendo acesso ao Porto de Pecém via correias transportadoras, um porto de águas profundas de grande escala, localizado a 10 km da usina. 

A aquisição oferece sinergias operacionais e financeiras significativas, assim como um potencial para futuras expansões, como a opção de adicionar capacidade primária de fabricação de aço (incluindo processo de redução direta), além da capacidade de laminação e acabamento. Dada a sua localização, a CSP também apresenta uma oportunidade para criar um novo centro de produção de aço de baixo carbono, capitalizando a ambição do estado do Ceará de desenvolver um centro de hidrogênio verde de baixo custo em Pecém. 

A verticalização nesse caso permitiu à Vale consolidar várias etapas do processo de produção e distribuição de aço, reduzindo custos operacionais. Além disso, a transação reforçou a estratégia da Vale de simplificar seu portfólio, com foco nos principais negócios e oportunidades de crescimento, pautados na alocação disciplinada de capital. 

Aquisição visando à integração de tecnologias com alto potencial complementar 

A Salesforce, uma gigante do setor de CRM, adquiriu o Slack, um popular aplicativo de mensagens instantâneas muito utilizado por startups e equipes de inovação. A motivação para essa aquisição foi a rápida mudança nos hábitos de trabalho e a crescente demanda por plataformas de colaboração eficientes. 

A aquisição permitiu à Salesforce acessar uma plataforma de colaboração usada diariamente por milhões de profissionais, abrindo uma nova frente em sua batalha contra a Microsoft, cujo software de colaboração, o Teams, ultrapassou o crescimento do Slack durante a pandemia. Além disso, a Salesforce viu uma oportunidade de tornar sua solução mais completa, já que grandes empresas – que são seus principais clientes – priorizam reduzir o número de fornecedores de tecnologia, optando por serviços mais abrangentes e integrados. 

As implicações dessa aquisição são significativas. O Slack se tornou a interface oficial da Salesforce, e a expectativa é que o software da Salesforce evolua para algo mais parecido com o Slack. Hoje, a plataforma do Slack é integrada a mais de 2,4 mil aplicativos, como Google Calendar e ZenDesk.  

No entanto, qualquer aquisição envolve um grau de incerteza para os clientes existentes, e a compra da Slack pela Salesforce não é diferente. Ainda assim, essa transação representa um marco importante na indústria global de software de colaboração. 

Um M&A bem-sucedido é uma junção de fatores 

Dada a complexidade do tema, o artigo buscou ilustrar algumas operações de M&A e o fator principal que as impulsiona. O nosso objetivo foi aproximar a realidade da compra e venda de empresas ao leitor, resumindo a imensa gama de motivos que podem determinar tal movimentação. 

Considerando o processo já iniciado, é essencial realizar estudos detalhados sobre a velocidade em que se faz necessário esse crescimento inorgânico, o momento do mercado e as opções de pagamento disponíveis, tal qual foi abordado no artigo “Opções de pagamento na compra ou venda de empresas”, disponível no blog da BLB. 

Munido de tais conhecimentos, o leitor estará apto a tomar suas decisões, sendo necessário que ele também compreenda todas as etapas do processo e, com a devida assessoria, consiga passar por todas elas com o mínimo possível de inseguranças. Para sanar dúvidas sobre o processo de M&A e a função de uma assessoria, recomendamos a leitura do artigo “Processo de M&A: conheça as 7 etapas para a combinação de negócios”. 

Em conclusão, as estratégias de M&A são fundamentais para o crescimento e a sustentabilidade das empresas, seja em curto, médio ou longo prazo. A escolha entre desenvolver internamente ou adquirir uma empresa já estabelecida depende das motivações e do contexto econômico. A integração bem-sucedida e o momento adequado são cruciais para maximizar os benefícios e minimizar os riscos. Assim, com a orientação correta, as aquisições podem gerar sinergias significativas, proporcionando vantagens competitivas e retornos financeiros robustos. 

Autoria de Israel Torres e revisão técnica de Raphael Bloch
Consultoria em Finanças e M&A
BLB Auditores e Consultores  

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Brand equity: como um alto share of mind pode elevar o valor da sua marca https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/rascunho-automatico-brand-equity/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/rascunho-automatico-brand-equity/#respond Wed, 17 Jul 2024 13:40:33 +0000 https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/?p=23798 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
Brand equity: como um alto share of mind pode elevar o valor da sua marca

Conquistar um lugar na mente dos consumidores é tão crucial quanto garantir vendas, como enfatizou Peter Drucker: “O objetivo do marketing é conhecer e entender tão bem o cliente que o produto ou serviço se encaixe nele e se venda sozinho.” Levando isso em consideração, este artigo visa abordar a relação entre share of mind, […]

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Brand equity: como um alto share of mind pode elevar o valor da sua marca

Conquistar um lugar na mente dos consumidores é tão crucial quanto garantir vendas, como enfatizou Peter Drucker: “O objetivo do marketing é conhecer e entender tão bem o cliente que o produto ou serviço se encaixe nele e se venda sozinho.” Levando isso em consideração, este artigo visa abordar a relação entre share of mind, valor de marca (brand equity) e as estratégias de marketing que sustentam essa dinâmica, destacando como a presença mental pode se traduzir em valor financeiro.  

Share of mind e top of mind 

Originários da língua inglesa, esses dois conceitos são amplamente utilizados no mundo do marketing para avaliar como os clientes percebem e ranqueiam as marcas. Sendo assim, o share of mind é uma medida qualitativa que reflete a posição de uma marca na percepção dos consumidores, indicando que quanto mais frequentemente uma marca é lembrada ou associada a uma categoria de produto, maior é o seu share of mind. 

Já o conceito de top of mind refere-se ao nível mais elevado de share of mind. Isso significa que quando se trata de um nicho específico, uma dada marca é a primeira que vem à mente dos consumidores. Esse conceito é essencial para o marketing, já que uma presença mental marcante pode resultar na preferência por uma marca, influenciando diretamente as decisões de compra dos consumidores.  

Fazendo um paralelo com um exemplo midiático, a série de TV Mad Men é aclamada pelo público por explorar o intrincado universo do marketing. Ambientada na década de 1960, a série acompanha Don Draper, um diretor talentoso e criativo em uma agência de publicidade de Nova York. Ao longo dos episódios, vemos Draper e sua equipe criando campanhas publicitárias estratégicas para posicionar marcas no topo da mente dos consumidores. Inclusive, essa série oferece fascinantes reflexões e exemplos sobre a importância desses dois conceitos, principalmente do share of mind, como veremos adiante.  

Brand equity, valuation e a conexão com share of mind 

O valor de marca, ou brand equity, representa o valor adicional que uma marca confere a um produto ou serviço. Esse é um ativo intangível que pode ser avaliado por meio de várias métricas, incluindo a percepção do consumidor, a lealdade à marca e a performance financeira da empresa. 

Dessa forma, um forte valor de marca pode impactar diretamente o valuation de uma empresa, especialmente quando se utiliza a metodologia de fluxo de caixa descontado (DCF) para determinar o valor presente de seus fluxos de caixa futuros.  

Isso significa que há uma ligação direta entre o share of mind e o valor de marca. Quando uma marca se fixa na mente dos consumidores, ela tende a ser a escolha preferida, aumentando as vendas e fortalecendo a lealdade do cliente. Essa preferência não só eleva o valor percebido da marca, mas também se traduz em vantagens financeiras tangíveis. Um forte valor de marca pode resultar em:  

  • Preços premium: marcas com alto valor podem cobrar preços mais altos por seus produtos, melhorando as margens de lucro.  
  • Fidelidade do cliente: consumidores fiéis tendem a repetir compras, garantindo receitas estáveis, o que é fundamental para projeções de fluxos de caixa consistentes no modelo de DCF.  
  • Facilidade de expansão: marcas fortes podem introduzir novos produtos com maior sucesso, beneficiando-se da confiança já estabelecida, refletindo positivamente no valuation da empresa.  
  • Aumento nas receitas: marcas com alto share of mind frequentemente desfrutam de maior volume de vendas, pois são as primeiras opções consideradas pelos consumidores.  
  • Redução de custos de aquisição: empresas com marcas fortes gastam menos em marketing para atrair novos clientes, já que a alta presença mental reduz a necessidade de campanhas intensivas de conscientização.  
  • Valorização de mercado: investidores tendem a valorizar empresas com marcas poderosas, resultando em avaliações mais altas e melhor acesso ao capital.  

Retomando alguns ensinamentos trazidos por Mad Men, um exemplo clássico é a campanha “It’s Toasted” para a marca de cigarros Lucky Strike. Nela, Don Draper redefine a percepção do consumidor sobre o produto, diferenciando-o no mercado e assegurando que a mensagem permaneça na mente dos consumidores. Esse é um exemplo claro de como o share of mind pode aumentar o valor de marca e permitir preços premium, influenciando positivamente as projeções de fluxo de caixa descontado e o valuation da empresa.  

Marketing: impulsionador do share of mind 

O marketing desempenha um papel fundamental tanto na construção quanto na manutenção do share of mind e do top of mind. Estratégias eficazes de marketing ajudam a criar uma presença mental forte e consistente para uma marca. Assim, algumas das principais estratégias incluem:  

  • Branding consistente: manter uma identidade visual e mensagem coerentes em todas as plataformas de comunicação é fundamental para reforçar a presença da marca na mente dos consumidores.  
  • Marketing de conteúdo: a criação de conteúdo relevante e valioso para o público-alvo ajuda a construir uma conexão emocional e fortalece o share of mind.  
  • Publicidade estratégica: campanhas publicitárias bem planejadas, como as vistas em Mad Men, não apenas posicionam a marca de forma proeminente, mas também garantem que ela permaneça na memória do consumidor.  
  • Engajamento nas redes sociais: interagir com os consumidores nas redes sociais aumenta a visibilidade da marca e a mantém no top of mind do público.  
  • Experiência do cliente: oferecer uma experiência excepcional ao cliente cria memórias positivas associadas à marca, fortalecendo a lealdade e o share of mind.  

Economia comportamental: a relação entre o share of mind e o brand equity 

A economia comportamental, uma área de estudo que combina insights da psicologia com a economia, nos ajuda a explicar por que o share of mind é tão importante para o valor de marca. Esse campo sugere que as decisões dos consumidores nem sempre são racionais e são frequentemente influenciadas por heurísticas1 e vieses cognitivos. Alguns conceitos relevantes incluem:  

  • Efeito de familiaridade: as pessoas tendem a preferir o que lhes é familiar. Marcas com alto share of mind são mais familiares aos consumidores, tornando-as mais atraentes e preferidas em decisões de compra.  
  • Vieses de disponibilidade: este viés cognitivo leva as pessoas a julgarem a probabilidade de eventos com base na facilidade com que exemplos vêm à mente. Uma marca com alto share of mind é mais facilmente lembrada, aumentando suas chances de ser escolhida pelos consumidores.  
  • Efeito halo: a percepção positiva de uma marca em um aspecto pode influenciar a percepção de outros aspectos. Se uma marca é facilmente lembrada e bem vista, essa percepção positiva pode se estender a outros produtos ou serviços da mesma marca.  

Em relação a esses conceitos, a série Mad Men os ilustra em várias campanhas publicitárias que reforçam a familiaridade e a disponibilidade de uma marca na mente dos consumidores, criando um efeito halo que beneficia toda a linha de produtos da marca.  

Alguns exemplos de mercado 

  • Apple: esse é um exemplo clássico de uma marca com um share of mind notável no setor de tecnologia. A empresa não apenas estabeleceu uma base leal de clientes, mas também criou um ecossistema envolvente que integra uma variedade de produtos e serviços, desde iPhones e MacBooks até Apple Watch e Apple TV. Essa lealdade é um reflexo direto do compromisso da Apple com a qualidade superior, a inovação constante e a excelência em relação à experiência do usuário, características que estão presentes em seus produtos. 

Como resultado, a marca consegue praticar preços premium, como visto com o iPhone, que tende a custar significativamente mais do que os smartphones concorrentes, mas ainda assim domina esse nicho no mercado. A influência da Apple vai além da tecnologia, pois a sua forte presença mental molda o comportamento do consumidor e incentiva a adoção de novas tecnologias. 

O recente lançamento do Apple Vision Pro é um exemplo que demonstra o compromisso da Apple com a inovação e a excelência no design, reforçando ainda mais seu share of mind.  

  • Coca-Cola: a Coca-Cola é uma das marcas mais reconhecidas globalmente e um excelente exemplo de como um alto share of mind pode ser traduzido em sucesso financeiro. 

A empresa mantém uma presença robusta no mercado graças a campanhas de marketing icônicas, como o “Share a Coke” e o clássico comercial de Natal com o caminhão da Coca-Cola. Essa atuação marcante permite à Coca-Cola praticar preços premium em comparação a outras bebidas carbonatadas, garantindo receitas estáveis e margens de lucro saudáveis. 

Além disso, a confiança dos consumidores na marca leva a uma fidelidade extrema, em que muitos consumidores optam automaticamente por Coca-Cola em vez de alternativas, devido à sua familiaridade e associações positivas com o produto. 

Inclusive, a Coca-Cola tem capitalizado a força da sua marca para expandir seu portfólio de produtos, incluindo águas, chás e bebidas esportivas, aproveitando a confiança já estabelecida na marca principal.  

  • Nike: essa empresa exemplifica como um share of mind elevado pode fortalecer o valor de marca em um mercado altamente competitivo, como o de artigos esportivos. 

Por meio de campanhas publicitárias poderosas, como “Just Do It”, e parcerias com atletas de elite, como Michael Jordan, LeBron James e Serena Williams, a Nike se posicionou no topo da mente dos consumidores. 

A empresa pratica preços premium em seus produtos, como os populares tênis Air Jordan, que se esgotam rapidamente mesmo com os preços mais altos. A fidelidade dos clientes à marca Nike é notável, com muitos consumidores dispostos a pagar mais pela percepção de qualidade e inovação. Esse alto nível de reconhecimento e preferência fortalece a performance financeira da empresa, refletindo-se em um valuation elevado.  

Share of mind importa para a economia 

Para empresas que buscam sucesso em longo prazo, é essencial não apenas criar produtos e serviços de alta qualidade, mas também construir e manter um forte share of mind. Isso fortalecerá o valor de marca, ao passo que proporcionará uma vantagem competitiva sustentável que pode se traduzir em sucesso financeiro. 

Seguindo essas estratégias de marketing, as chances de um produto ou serviço “se vender sozinho”, como afirmou Peter Drucker, aumentam significativamente. E é exatamente esse objetivo que as empresas podem alcançar ao incorporar o share of mind, o valor de marca e a economia comportamental em suas estratégias.  

Em relação ao tema abordado neste artigo, o Grupo BLB se destaca, oferecendo uma equipe de profissionais altamente qualificados, composta por contadores, auditores, tributaristas, economistas e advogados. Estamos prontos para personalizar estratégias que não apenas mantenham sua empresa em conformidade, mas também maximizem as oportunidades financeiras derivadas de um brand equity fortalecido. Conheça nosso serviço de Assessoria em Compra e Venda de Empresas e descubra como podemos ajudar sua marca a atingir seu máximo de valor na operação.  

Autoria de Gustavo Ferreira e revisão técnica de Raphael Bloch
Consultoria em Finanças e M&A
BLB Auditores e Consultores 

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Valuation Pre money e Post money: o que são? https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/valuation-pre-money-post-money/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/valuation-pre-money-post-money/#comments Tue, 17 May 2022 13:15:40 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21899 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123

Pre Money e post Money. Muito importantes em M&A, ou fusões e aquisições (do inglês, mergers and acquisitions), esses termos se referem basicamente a dois valores distintos atribuídos a uma empresa: o valor intrínseco antes de um aporte primário (Cash in), e o valor após essa negociação. Em resumo, a conta se dá da seguinte […]

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Pre Money e post Money. Muito importantes em M&A, ou fusões e aquisições (do inglês, mergers and acquisitions), esses termos se referem basicamente a dois valores distintos atribuídos a uma empresa: o valor intrínseco antes de um aporte primário (Cash in), e o valor após essa negociação.

Em resumo, a conta se dá da seguinte forma:

Vamos supor que uma empresa em busca de caixa para investir, desenvolver suas operações e/ou se consolidar no mercado já tenha encontrado um investidor interessado que lhe fará um aporte de, digamos, R$ 10 milhões.

Após contratar uma assessoria financeira para fazer o Valuation da firma, foi descoberto que ela tem um valor de R$ 40 milhões. Esse é o Enterprise Value (EV) Pre Money.

O que acontece agora?

Com o aporte desse novo investidor, os R$ 10 milhões entrarão no ativo da empresa como caixa e no patrimônio líquido como capital social, aumentando seu Enterprise Value para R$ 50 milhões. Esse é o valor Post Money.

Valuation pre money e post money

Note que agora os sócios antigos da empresa detêm 80% da companhia, e não mais 100%. Simultaneamente, os 10 milhões injetados pelo investidor se tornaram 20% da companhia.

Percebemos como é fácil assumir que a parcela do capital adquirido da firma seja o valor Pre Money (25%), e não o Post Money (20%), mas esse é um erro muito comum e é importante evitá-lo!

Valuation pre money e post money

Temos, portanto, a nova estrutura de capital:

Valuation pre money e post money

No caso de uma startup, os caminhos podem ser diferentes

Por estarem em fase inicial, não é raro que elas apresentem empecilhos para a realização de um Valuation tradicional, como fluxos de caixa negativos, tempo de vida curto demais para criar uma base de projeções, ou expectativas de crescimento imprevisíveis.

Nesses casos, as avaliações por Fluxo de Caixa Descontado são muito mais subjetivas, sendo de grande dificuldade a determinação de um valor intrínseco.

Portanto, a negociação pode vir numa direção contrária, já que o Enterprise Value Pre Money é uma incógnita. Exemplo: é acordado entre as partes uma oferta de R$ 10 milhões em 20% da empresa. O cálculo se dá da seguinte maneira:

Valuation pre money e post money

E para que servem?

Como citado anteriormente, esses termos são muito usados em M&A. Numa rodada de investimentos, esses valores são determinantes para evitar ambiguidades nas negociações e mal entendidos entre as partes interessadas.

Uma vez que a venda da empresa ou aportes vindos de investidores são episódios de assaz importância nas vidas da empresa e dos sócios, é necessário o alinhamento de todas as fases da negociação, tanto em empresas amadurecidas quanto em startups.

Se você deseja vender a sua empresa ou buscar investidores para expandir os seus negócios, consulte a BLB Auditores e Consultores para assessorar em todas as etapas do processo!

Rafael Tomaz
Divisão de Consultoria e Gestão em Finanças

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Valor patrimonial, capitalização de mercado e valor da firma https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/valor-patrimonial-capitalizacao-de-mercado-valor-da-firma/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/valor-patrimonial-capitalizacao-de-mercado-valor-da-firma/#respond Tue, 17 May 2022 12:49:58 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21896 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
Valor patrimonial, capitalização de mercado e valor da firma

Como já vimos neste blog, na prática da avaliação de uma empresa, ou Valuation, um dos métodos mais utilizados é o do Fluxo de Caixa Descontado. Nesse método, o analista avalia uma empresa por projeções dos fluxos de caixa nos próximos anos e, por fim, trazidas a valor presente. Uma vez que as operações da […]

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Valor patrimonial, capitalização de mercado e valor da firma

Como já vimos neste blog, na prática da avaliação de uma empresa, ou Valuation, um dos métodos mais utilizados é o do Fluxo de Caixa Descontado. Nesse método, o analista avalia uma empresa por projeções dos fluxos de caixa nos próximos anos e, por fim, trazidas a valor presente.

Uma vez que as operações da empresa são financiadas pelos investidores, temos que o fluxo de caixa para os investidores seria o mesmo fluxo de caixa destinado à operação da firma. Levando a valor presente o montante da projeção desses fluxos de caixa, temos o Valor da Empresa. Se descontarmos a Dívida Líquida, teremos o Valor Patrimonial.

Embora parecidos, esses termos se diferenciam em sua forma e aplicação e acabam por confundir muita gente. Pela importância que eles carregam nos mercados financeiros, é necessário saber distingui-los e, principalmente, saber quando usar cada um deles.

Enquanto o Valor da Firma nos dá uma informação precisa sobre o valor atual de uma empresa, se assemelhando a uma foto, o Valor Patrimonial oferece, às custas da exatidão do resultado, esclarecimentos sobre o atual valor da companhia, assim como seu potencial de geração de valor no futuro.

O que é Enterprise Value (valor da firma)?

Amplamente conhecido como EV, ou Enterprise Value, este conceito considera muito mais do que apenas o valor do patrimônio líquido disponível de uma empresa. Ele diz o quanto vale um negócio.

O EV é o preço teórico atribuído a uma empresa. Ele é útil na comparação de empresas com diferentes estruturas de capital, uma vez que o valor de uma empresa não é afetado por sua escolha de estrutura de capital.

Vamos imaginar que um investidor deseja comprar uma empresa de uma vez. Neste caso, o investidor não teria posse apenas do patrimônio líquido da firma em forma de ações, como também ele estaria adquirindo sua dívida e o dinheiro disponível nela (o caixa).

Naturalmente, comprar a dívida aumenta o custo de compra, já que ela se tornaria do comprador, ao passo que comprar o dinheiro reduz o custo, já que o novo dono da empresa estaria comprando dinheiro que poderia ser usado para pagar suas dívidas.

Logo, o cálculo do EV se dá por:

EV = Valor Patrimonial + Dívida total – (caixa e equivalentes de caixa)

ou

EV = Valor Patrimonial + Dívida Líquida

Devemos notar que, para a dívida total, é importante certificar-se de incluir a dívida de longo prazo e a dívida de curto prazo. Qualquer dívida que possa ser convertida em patrimônio líquido (como debêntures conversíveis, que são títulos de dívidas que podem se transformar em ações) é tratada como patrimônio, logo não é considerada dívida neste cálculo.

Além disso, devemos também considerar que ao calcular o caixa e equivalentes de caixa é necessário incluir itens como títulos de alta liquidez (que são facilmente conversíveis em dinheiro).

O que é Market Capitalization (capitalização de mercado)?

A Capitalização de Mercado é extensamente utilizada para empresas de capital aberto, ou seja, listadas na bolsa. O seu cálculo se dá pelo seguinte:

Market Cap = Ações em circulação * Preço das Ações

Pelo fato de todas as informações estarem disponíveis ao público, o cálculo da capitalização de mercado é fácil e essa métrica é amplamente aderida em todos os setores do mercado.

Além disso, os preços das ações estão em constante flutuação, levando a capitalização de mercado também assumir a função de medir o valor do patrimônio da empresa no momento corrente.

Essas flutuações diárias podem nos oferecer importantes informações sobre o comportamento da empresa perante o mercado, como seu potencial de crescimento, riscos e correlação com os mercados.

Contudo, devemos nos atentar ao analisar a capitalização de mercado, pois existem ferramentas que permitem empresas de alterá-la de acordo com suas decisões estratégicas. Um exemplo seria a recompra de ações por parte da empresa, o que reduz a quantidade de ações em circulação e, assim, a sua capitalização de mercado. Opostamente, uma oferta pública de ações aumenta a quantidade de ações da empresa, elevando seu Market Cap.

O que é Equity Value (valor patrimonial)?

Em poucas palavras, o valor patrimonial constitui o valor das ações da empresa e dos empréstimos que os acionistas colocaram à disposição do negócio.

Análogo à fórmula anterior, o cálculo do Valor Patrimonial é o Valor da Firma (EV) menos a dívida líquida.

Valor Patrimonial = EV – Dívida Líquida

O valor patrimonial e a capitalização de mercado são frequentemente considerados semelhantes e até usados ​​de forma intercambiável, mas há uma diferença fundamental: a capitalização de mercado no Brasil considera apenas o valor das ações ordinárias e preferenciais da empresa.

Considerando o valor patrimonial de uma empresa sendo igual à sua capitalização de mercado, poderemos obter seu valor pela multiplicação entre a quantidade de ações disponíveis e o preço atual das ações. Neste caso, se a empresa ABCD3 possui 1.000.000 ações, e o preço de cada ação é R$2,00, então sua capitalização seria:

Capitalização de Mercado = 1.000.000 x 2,00 = R$2.000.000,00

Conclusão

Como podemos observar, tanto Valor Patrimonial quanto Valor da firma são importantes ferramentas para a avaliação de empresas.

O valor patrimonial é o valor apenas para os acionistas; entretanto, o valor da empresa é o montante que acumula tanto para os acionistas quanto para os detentores da dívida.

O valor que deve ser aplicado no trabalho é muito importante e depende não só dos objetivos do analista, assim como também o tipo de operação que será realizada. Por exemplo, investidores da bolsa de valores utilizam mais frequentemente o Valor Patrimonial por ser um valor mais fácil e rápido de se estimar, ao passo que o Valor da Firma é mais extensamente usado para a tomada de decisões estratégicas dentro das empresas, como na área de fusões e aquisições.

A BLB Brasil oferece serviços especializados em Valuation e fusões e aquisições. Caso queira entender mais profundamente o seu negócio ou encontrar possíveis investidores, entre em contato pelo nosso site ou LinkedIn.

Rafael Tomaz
Divisão de Consultoria e Gestão em Finanças

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Cash in e Cash out: entenda os tipos de venda de ações https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/cash-in-cash-out-mea/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/cash-in-cash-out-mea/#comments Tue, 17 May 2022 12:25:13 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21887 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
Cash in e Cash out: entenda os tipos de venda de ações

O mundo do M&A – mergers and acquisitions (do inglês, Fusões e Aquisições) comporta uma extensa gama de métodos, operações e termos – muitos termos – que confundem empresários e os menos antenados no assunto. Cash in e Cash out são duas nomenclaturas muito frequentes nas fases de negociação de uma companhia. Vamos às terminologias: […]

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Cash in e Cash out: entenda os tipos de venda de ações

O mundo do M&A – mergers and acquisitions (do inglês, Fusões e Aquisições) comporta uma extensa gama de métodos, operações e termos – muitos termos – que confundem empresários e os menos antenados no assunto. Cash in e Cash out são duas nomenclaturas muito frequentes nas fases de negociação de uma companhia. Vamos às terminologias:

Cash in

Em tradução livre significa entrada de dinheiro. Podemos interpretá-lo como um depósito do acionista à empresa ou um aporte primário/emissão primária. Na bolsa de valores, por exemplo, quando uma empresa emite novas ações por meio do IPO – Initial Public Offering (do inglês, Oferta Pública Inicial), os investidores, por meio da compra dessas ações, estariam injetando dinheiro na empresa. Logo, a operação é de cash-in. Ela é considerada primária porque novas ações estariam sendo criadas neste momento, “se lançando” ao mercado pela primeira vez.

Cash out

É a operação na qual um sócio investidor adquire parte do (ou todo) capital social de outro sócio. Neste caso, a transação não alteraria a estrutura de capital da companhia, uma vez que essa seria uma transferência de uma pessoa para outra e não passaria em nenhum momento pela empresa. Este caso é considerado um aporte secundário, uma vez que ações já existentes estariam sendo negociadas entre si, semelhante a bolsas de valores.

Tanto para uma quanto para outra operação, existem diferentes formas pelas quais a empresa poderá receber os recursos. A decisão de como será realizado o aporte é assunto de grande importância e deve ser apurado com delicadeza para que não haja lesão de alguma das partes relacionadas. Para isso é necessário que os contratos das operações estejam bem claros e fundamentados. Um exemplo clássico de negociação é o da diluição de ações.

Diluição

Como já mencionado, as operações de Cash in com diluição de capital envolvem a entrada de novo capital social na firma às custas de alterações na estrutura societária. O novo Enterprise Value (EV) Post Money (ou seja, o novo valor da empresa após a entrada do dinheiro investido) gera um efeito de redução da participação em porcentagem dos sócios antigos da firma, mesmo que quantidade de ações em custódia seja igual.

M&A - Cash in e cash out

No caso do Cash out, as ações são transferidas de um portador a outro. Logo, não há alteração no preço das ações nem na parcela que cada sócio detém da companhia.

M&A - Cash in e cash out

Vamos pensar em um terceiro exemplo, agora com as duas operações.

Imagine que um investidor deseja entrar em um determinado negócio com certa quantidade de capital, acreditando em seu potencial de retorno. Com planos estratégicos arrojados em mente, ele acredita que seria necessário um poder de voto privilegiado para colocar suas ideias em prática. Portanto, ele deseja assumir uma posição privilegiada com relação aos outros sócios. Neste caso, a situação se configuraria da seguinte forma:

M&A - Cash in e cash out

Como vemos sobretudo nesse último caso, o tipo de aporte e como ele será feito depende muito da estratégia de cada uma das partes e pode alterar o perfil operacional da companhia e sua estrutura societária.

Se você deseja vender a sua empresa ou buscar investidores para expandir os seus negócios, consulte a BLB Brasil para te assessorá-lo em todas as etapas do processo!

Rafael Tomaz
Divisão de Consultoria e Gestão em Finanças

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Crédito do REINTEGRA será julgado pelo STF em 2022 https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/stf-julgamento-credito-reintegra/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/stf-julgamento-credito-reintegra/#respond Mon, 14 Mar 2022 18:05:55 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21822 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
Crédito do REINTEGRA será julgado pelo STF em 2022

Para este primeiro semestre de 2022, alguns temas tributários que impactam a vida de empresas e também de contribuintes serão julgados pela Suprema Corte. Dentre eles, dois assuntos acerca do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) estão em pauta de julgamento, previsto para 17 de março de 2022. Em […]

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Crédito do REINTEGRA será julgado pelo STF em 2022

Para este primeiro semestre de 2022, alguns temas tributários que impactam a vida de empresas e também de contribuintes serão julgados pela Suprema Corte. Dentre eles, dois assuntos acerca do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) estão em pauta de julgamento, previsto para 17 de março de 2022.

Em síntese, as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) buscam a declaração de inconstitucionalidade das sucessivas reduções acerca dos percentuais para aproveitamento do crédito do REINTEGRA, bem como o retorno da aplicação do percentual de 3% inicialmente previsto pela legislação.

Breve contextualização sobre o REINTEGRA 

O REINTEGRA foi criado em 2011 pela Medida Provisória 540, convertida na Lei 12.546/2011, com vigência de dezembro de 2011 até dezembro de 2013. Em 2014, o REINTEGRA ganhou caráter permanente com a MP 651, convertida na Lei n.13.043. 

O objetivo do benefício é retornar, de forma integral ou parcial, o resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de mercadorias exportadas. Ou seja, possibilitando que as empresas exportadoras tenham de volta valores pagos em tributos – como PIS, COFINS, IRRF, CPMF, entre outros – das etapas anteriores ao processo produtivo. O percentual para o aproveitamento dos créditos é estabelecido pelo Poder Executivo, podendo variar entre 0,1% a 3%.

Atualmente o REINTEGRA conta com o percentual de 0,1%, o qual passou por uma redução de 95% em 2018. Abaixo temos o histórico do percentual de aproveitamento do benefício nos últimos anos: 

  • De 3% para 1%: entre 01/03/15 e 30/11/2015 pelo Decreto n. 8.415/2015;
  • De 1% para 0,1%: entre 01/12/15 e 31/12/16 pelo Decreto n. 8.543/2015;
  • De 2% para 0,1%: a partir de 01/06/2016 até atualmente pelo Decreto n. 9.393/2018.

Com base nas alterações acima, muito se discute sobre a ilegalidade e a inconstitucionalidade da última alteração, tendo em vista que a redução do benefício foi muito grande e não houve comprovação de eventual diminuição do resíduo tributário na cadeia dos produtos manufaturados exportados (critério legal para a graduação do percentual do ressarcimento).

Além disso, nenhum dos decretos que alteraram as alíquotas do REINTEGRA respeitaram o Princípio da Anterioridade (seja do Exercício, seja Nonagesimal), sendo esse mais um fundamento para levar a discussão ao STF. 

Expectativas para o julgamento do crédito do REINTEGRA

A expectativa para o julgamento é grande, pois será a primeira vez que o STF tratará do assunto, tendo em vista a questão das ADIs nº 6040 e 6555 (explicitadas no quadro abaixo), que tramitam em conjunto.

Levando em consideração o percentual atual bastante reduzido (0,1%) do REINTEGRA, os contribuintes esperam um resultado positivo com os julgamentos.

Para este primeiro semestre de 2022, alguns temas tributários que impactam a vida de empresas e também de contribuintes serão julgados pela Suprema Corte. Dentre eles, dois assuntos acerca do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) estão em pauta de julgamento, previsto para 17 de março de 2022.  Em síntese, as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) buscam a declaração de inconstitucionalidade das sucessivas reduções acerca dos percentuais para aproveitamento do crédito do REINTEGRA, bem como o retorno da aplicação do percentual de 3% inicialmente previsto pela legislação.  Breve contextualização sobre o REINTEGRA  O REINTEGRA foi criado em 2011 pela Medida Provisória 540, convertida na Lei 12.546/2011, com vigência de dezembro de 2011 até dezembro de 2013. Em 2014, o REINTEGRA ganhou caráter permanente com a MP 651, convertida na Lei n.13.043.  O objetivo do benefício é retornar, de forma integral ou parcial, o resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de mercadorias exportadas. Ou seja, possibilitando que as empresas exportadoras tenham de volta valores pagos em tributos – como PIS, COFINS, IRRF, CPMF, entre outros – das etapas anteriores ao processo produtivo. O percentual para o aproveitamento dos créditos é estabelecido pelo Poder Executivo, podendo variar entre 0,1% a 3%. Atualmente o REINTEGRA conta com o percentual de 0,1%, o qual passou por uma redução de 95% em 2018. Abaixo temos o histórico do percentual de aproveitamento do benefício nos últimos anos:  •	De 3% para 1%: entre 01/03/15 e 30/11/2015 pelo Decreto n. 8.415/2015;  •	De 1% para 0,1%: entre 01/12/15 e 31/12/16 pelo Decreto n. 8.543/2015;  •	De 2% para 0,1%: a partir de 01/06/2016 até atualmente pelo Decreto n. 9.393/2018. Com base nas alterações acima, muito se discute sobre a ilegalidade e a inconstitucionalidade da última alteração, tendo em vista que a redução do benefício foi muito grande e não houve comprovação de eventual diminuição do resíduo tributário na cadeia dos produtos manufaturados exportados (critério legal para a graduação do percentual do ressarcimento). Além disso, nenhum dos decretos que alteraram as alíquotas do REINTEGRA respeitaram o Princípio da Anterioridade (seja do Exercício, seja Nonagesimal), sendo esse mais um fundamento para levar a discussão ao STF.  Expectativas para o julgamento do crédito do REINTEGRA A expectativa para o julgamento é grande, pois será a primeira vez que o STF tratará do assunto, tendo em vista a questão das ADIs nº 6040 e 6555 (explicitadas no quadro abaixo), que tramitam em conjunto. Levando em consideração o percentual atual bastante reduzido (0,1%) do REINTEGRA, os contribuintes esperam um resultado positivo com os julgamentos.

O que é modulação de efeitos?

O Supremo Tribunal Federal possui competência para a declaração de inconstitucionalidade das leis, de acordo com a Constituição Federal Brasileira. Em regra, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos retroativos (ex tunc), com a finalidade de restaurar com plenitude o estado de constitucionalidade.

O STF conta com a modulação dos efeitos para moderar a eficácia de uma anulação. Nesse sentido, o artigo 27 da Lei 9.868/99, dispõe que ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e considerando a segurança jurídica ou excepcional interesse social, poderá o STF, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, ou seja, efeitos a partir daquele momento (ex nunc), o que foge da regra geral.

A modulação de efeitos também é tratada pelo Código de Processo Civil de 2015, em seu artigo 927, §3°, em que também coloca o interesse social e a segurança jurídica como pressupostos para que a mesma ocorra.

De acordo com os últimos julgamentos do STF, em matéria tributária, tem-se observado a tendência pela modulação dos efeitos da decisão. Dessa forma, muito se discute sobre a possibilidade que o mesmo ocorra nas decisões das ADIs que tratam do crédito do REINTEGRA, dado o impacto aos cofres públicos e o alto interesse social.

Para as empresas que serão potencialmente impactadas pelas teses, é interessante avaliar o ingresso de ação judicial antes do início do julgamento, como forma de assegurar o seu direito de recuperação de crédito referente aos últimos 5 anos. 

 Leia também:

Atualização em 17/03/22:

O julgamento das ADI 6040 e 6055 que versam sobre o REINTEGRA foi excluído da pauta do STF. Lembrando que o julgamento deveria ter acontecido em dezembro do ano passado, foi prorrogado para 17/03/2022, mas na data de 16/03/2022 foi retirado de pauta novamente.

Dessa forma, os contribuintes aguardam com certa expectativa a reinclusão do tema. Para aquelas empresas industriais e exportadoras que ainda não avaliaram a viabilidade de ingressarem com demanda judicial, resta a oportunidade.

Fernanda Melo
Consultora Tributária
BLB Brasil Auditores e Consultores

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Distribuição desproporcional de lucros nas sociedades por ações https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/distribuicao-desproporcional-lucros/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/distribuicao-desproporcional-lucros/#respond Tue, 07 Dec 2021 12:22:41 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21687 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
Distribuição desproporcional de lucros nas sociedades por ações

Neste artigo aprofundamos a questão da distribuição desproporcional de lucros em sociedades por ações. Recentemente foi publicado e entrou em vigor o chamado Marco Legal das Startups, ou MLS, instituído pela Lei Complementar n.º 182, de 01 de junho de 2021, e falamos um pouco sobre suas disposições e benefícios em um de nossos artigos, […]

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Distribuição desproporcional de lucros nas sociedades por ações

Neste artigo aprofundamos a questão da distribuição desproporcional de lucros em sociedades por ações.

Recentemente foi publicado e entrou em vigor o chamado Marco Legal das Startups, ou MLS, instituído pela Lei Complementar n.º 182, de 01 de junho de 2021, e falamos um pouco sobre suas disposições e benefícios em um de nossos artigos, o qual você pode conferir clicando aqui.

O artigo explanou os principais temas e dispositivos implementados pelo MLS, mas, por óbvio, não exauriu todos os assuntos envolvidos com as alterações introduzidas por referida Lei Complementar.

Dentre os temas que ainda merecem evidência, destacamos a discussão acerca da temática e da possibilidade, ou não, de haver distribuição desproporcional de lucros em sociedades por ações.

Até a publicação do MLS, que, dentre suas alterações, modificou o artigo 294 da Lei das S.A, Lei n.º 6.404/76, era pacífico na doutrina e na jurisprudência, tanto societária, quanto tributária, o entendimento quanto à impossibilidade de ser realizada distribuição desproporcional de lucros em sociedades anônimas, especialmente em ações de mesma classe.

Contudo, com a alteração acima, incluiu-se ao artigo 294 da LSA o parágrafo 4º, pelo qual ficou estipulada a possibilidade de a assembleia geral, em sendo omisso o estatuto social, deliberar livremente sobre a distribuição de dividendos, hipótese em que não se aplicará a regra prevista no artigo 202 de referida lei, que versa sobre o dividendo mínimo obrigatório (50% do lucro líquido, caso o estatuto seja omisso).

Art. 294. A companhia fechada que tiver receita bruta anual de até R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) poderá: 

  • 4º Na hipótese de omissão do estatuto quanto à distribuição de dividendos, estes serão estabelecidos livremente pela assembleia geral, hipótese em que não se aplicará o disposto no art. 202 desta Lei, desde que não seja prejudicado o direito dos acionistas preferenciais de receber os dividendos fixos ou mínimos a que tenham prioridade. (grifo nosso).

A utilização da expressão “estabelecidos livremente” abriu margem para a retomada da discussão acerca da possibilidade de haver distribuição desproporcional de lucros em sociedades por ações, notadamente para acionistas da mesma classe.

Ao nosso ver, não só a expressão acima destacada, mas também o fato de o legislador ressalvar e resguardar apenas o direito do acionista preferencial, reforçam a teoria de que seria possível a distribuição desproporcional, afinal o legislador teve o cuidado de prever expressamente que as distribuições poderão ser feitas livremente, uma vez omisso o estatuto, desde que não prejudicados os direitos dos acionistas preferenciais, ou seja, sem fazer qualquer destaque aos direitos dos acionistas ordinários detentores de uma mesma classe de ações.

Não obstante, e também sob a ótica do direito societário, ainda que haja margem para questionamentos, há uma parte da doutrina que segue mais conservadora e defende a manutenção da restrição, uma vez que não foi alterado o artigo 109 da LSA, que versa especificamente sobre os direitos mínimos dos acionistas, dentre eles, conforme prevê seu inciso “i”, o de participar nos lucros sociais. Para tais juristas, só haveria segurança jurídica sobre o assunto se a matéria tivesse sido prevista expressamente no artigo 109.

O assunto está longe de ser solucionado, até mesmo pela retomada das discussões, frente à recente modificação da legislação, que data de menos de seis meses, não havendo ainda na jurisprudência julgados sobre o tema, seja ele de natureza societária ou tributária.

Isso porque, além de haver a discussão sob o ponto de vista societário, em especial se eventual distribuição desproporcional entre acionistas com uma mesma classe de ações ensejaria alguma imputação de nulidade de referido ato, há também a preocupação quanto às questões de ordem tributária.

Como já mencionamos, a contenda sobre ser possível ou não a distribuição de lucros desproporcional nas S.A não é nova, havendo, no judiciário e no CARF, diversos embates entre o Fisco e o contribuinte sobre a temática e já havendo o entendimento pacificado, há alguns anos, de que referida distribuição desproporcional não seria possível.

Ao analisar a antiga legislação societária, ou seja, anterior ao MLS, e alicerçado no entendimento pacificado quanto à impossibilidade de os lucros serem distribuídos desproporcionalmente, o Fisco discutia o efeito tributário de as sociedades e seus acionistas realizarem referida distribuição.

O entendimento até então pacificado era de que os lucros distribuídos desproporcionalmente nas sociedades anônimas seriam considerados como renda passível de tributação. Contudo, a nova redação abre também precedentes para discussões do ponto de vista tributário, vez que não há na legislação tributária específica em vigor, qual seja a Lei n.º 9.249/1995, qualquer vedação específica, pois a lei isenta os lucros percebidos pelos sócios e acionistas de tributação, independentemente de serem percebidos em consonância à sua participação societária.

Dito isso, ainda falta clareza e entendimento jurisprudencial sobre o quê, de fato, quis definir o legislador com as alterações promovidas pelo MLS na legislação societária, notadamente, aquelas implementadas pelo parágrafo 4º do artigo 294 da LSA.

Não obstante, sob o ponto de vista tributário, e havendo pretensão de qualquer contribuinte de distribuir livremente seus dividendos, atrelado a uma interpretação permissiva dos dispositivos já mencionados, faz-se recomendável que este valha-se da utilização de uma solução de consulta específica, a fim de obter a segurança jurídica necessária quanto à não tributação dos dividendos para seus acionistas, diante de uma eventual distribuição desproporcional.

Ainda, cabe-nos destacar que a Lei Complementar n.º 182, ou Marco Legal das Startups, além de regulamentar especificamente e conceituar as startups, trouxe diversas alterações para as sociedades por ações com receita bruta anual inferior a R$ 78.000.000,00. Dentre elas: a redução do número de diretores, dispensa de publicações, possibilidade de utilização de livros digitais, tudo com o intuito de facilitar a vida das S.A de (pequeno porte), sendo essa uma das maiores características de referida lei, ou seja, o de desburocratizar a vida de referidas sociedades e suas atividades.

Assim, e à luz de tal propósito, parece-nos razoável defender que a permissão da distribuição desproporcional de lucros entre ações da mesma classe estaria em linha com os objetivos principais do MLS. Isso porque, ainda que haja o entendimento predominante atual quanto às vedações neste sentido, é sabido que as sociedades e seus acionistas se valem, na prática, de diversas maneiras e mecanismos para que tais distribuições desproporcionais sejam realizadas, como rearranjos societários e a criação de ações de classes diferentes, dentre elas ações preferenciais, o que, sem dúvidas, vai de encontro aos objetivos do MLS.

A BLB Auditores e Consultores está atenta ao tema e aguardando o posicionamento das autoridades judiciárias e administrativas sobre assunto.

Liz Christante Pinheiro Azevedo
Divisão Societária e Patrimonial do Grupo BLB

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Introdução sobre a inovação no sistema financeiro brasileiro https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/inovacao-sistema-financeiro/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/inovacao-sistema-financeiro/#respond Thu, 18 Nov 2021 19:30:07 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21469 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
Introdução sobre a inovação no sistema financeiro brasileiro

De acordo com Raul Moreira, membro do Conselho de Administração e coordenador do Comitê de Inovação do Banco Original, existem 3 alicerces que estruturam a mudança que estamos vendo no mercado financeiro. Eles são a tecnologia, o comportamento do consumidor e a regulação, que agem como uma revolução silenciosa dentro de um sistema que há […]

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Introdução sobre a inovação no sistema financeiro brasileiro

De acordo com Raul Moreira, membro do Conselho de Administração e coordenador do Comitê de Inovação do Banco Original, existem 3 alicerces que estruturam a mudança que estamos vendo no mercado financeiro.

Eles são a tecnologia, o comportamento do consumidor e a regulação, que agem como uma revolução silenciosa dentro de um sistema que há tempos precisava ser repaginado.

Para quem consome o mundo da inovação, a modernização do sistema financeiro nacional já está muito clara.

E um dos grandes exemplos é o PIX, a modalidade de transferência sem custos e instantânea lançada pelo Banco Central em 2020.

Um sinal de que todo o sistema foi impulsionado a se tornar mais tecnológico, quando as fintechs e bancos digitais se tornaram mais populares.

Tendo isso em mente, hoje vamos falar sobre inovação no sistema financeiro brasileiro, incluindo open banking e segurança para toda essa tecnologia.

Continue lendo para conferir o que mudou nos últimos anos.

Tecnologia, comportamento do consumidor e regulação

Primeiro, é importante retomar o conceito de tríplice alicerce de Raul Moreira, citado anteriormente.

O ciclo se dá quando o avanço da tecnologia acelera o meio ambiente em que vivemos e faz com que o consumidor busque formas de se adequar a esse novo formato. É assim que a necessidade de regulação é criada, a fim de satisfazer um novo hábito.

Basicamente, o que ele quer dizer é que novos métodos de pagamento, de novas formas de concessão de crédito, por exemplo, demandam uma nova infraestrutura.

Porém, é importante manter como objetivo geral que toda movimentação seja na direção de impactar positivamente a nossa sociedade.

Principalmente em relação a questões como preço, qualidade, segurança ou melhoria da experiência.

É isso que deve ser priorizado em meio a todas as instituições financeiras, credenciadoras, sociedades de crédito direto ou corretoras, sejam elas novas ou do ambiente tradicional.

O que nos oferece uma boa perspectiva é o fato de a tecnologia empregada no sistema financeiro nacional ser tida como uma das mais avançadas do mundo.

E esse avanço tecnológico inclui o open banking, do qual vamos falar agora!

Open Banking

Também conhecido como Sistema Financeiro Aberto, o open banking é uma iniciativa do Banco Central.

Os objetivos principais desse sistema são:

  • promover a concorrência;
  • melhorar a oferta de produtos e serviços financeiros para o consumidor;
  • incentivar a autonomia na vida financeira;
  • diminuir custos;
  • ser mais transparente.

E funciona de forma gratuita, simples e prática, com a premissa de que o cliente é dono dos seus dados financeiros e poderá escolher quando e com quais empresas vai compartilhá-los.

O compartilhamento só acontece a partir do consumidor, é ele que deve solicitar a movimentação dos dados à instituição de destino.

O processo é 100% digital, seguro e supervisionado pelo Banco Central, além de acontecer por meio dos aplicativos já existentes das instituições financeiras.

Essa tecnologia, conhecida como API (Interface de Programação de Aplicações), é o que permite a troca de informações entre as instituições financeiras.

É possível conhecer todos os participantes do sistema financeiro aberto clicando aqui.

Com toda essa movimentação de dados, fica a dúvida em relação à segurança das informações, mas não há com o que se preocupar.

Existem duas leis que cobrem esse ambiente:

  • A Lei do Sigilo Bancário (nº 105/2001), que proíbe o compartilhamento de dados para instituições financeiras não participantes e a venda de informações de consumidores para terceiros;
  • E a Lei Geral de Proteção de Dados (nº 13.709/2018), em vigor desde 2020, que dá autonomia para o cliente em relação aos seus dados.

Além disso, a ideia é que o Banco Central fiscalize todos os participantes e, caso necessário, aplique punições.

O open banking se tornou obrigatório para instituições do segmento S1 e S2 em novembro de 2020 e, de acordo com o Bacen, a implantação deve terminar até dezembro de 2021.

E segundo uma pesquisa do C6 Bank/Ipec, de maio deste ano, 33% dos brasileiros já se mostram interessados em compartilhar seus dados pessoais com instituições financeiras.

Agora vamos falar da segunda inovação que abalou o sistema financeiro nacional, o PIX.

PIX

Lançado em novembro de 2020, o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) ficou mais conhecido como PIX.

Com rápida aderência, o Banco Central anunciou que em maio de 2021 já tinha acontecido mais de 543 milhões de transações via SPI, com mais de 164 milhões de correntes cadastradas no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT).

As transferências feitas pelo PIX podem ocorrer a qualquer hora do dia, durante toda a semana, inclusive feriados, e o valor transferido cai na conta do recebedor em questão de segundos.

A conveniência e velocidade sendo as principais mudanças em comparação aos modelos de transferência já existentes.

O PIX está disponível por meio dos aplicativos das instituições financeiras da sua escolha e para usá-lo basta criar uma chave, que pode ser seu CPF, número de telefone, e-mail ou um código gerado automaticamente.

Alguns outros propósitos que o Bacen quer atingir com o PIX, são:

  • Segurança aumentada por meio de transações cursadas na Rede do Sistema Financeiro Nacional e uso de meios de autenticação digital;
  • Ambiente aberto proporcionado pelo acesso distribuídos para todas as instituições financeiras, incluindo fintechs;
  • Multiplicidade de casos de uso, já que os pagamentos podem ser realizados entre pessoas e/ou empresas, incluindo recolhimento de impostos ao governo federal.

Com esses dois grandes passos é possível ver o Banco Central se esforçando para inovar e tornar mais tecnológico nosso sistema financeiro.

E para falar sobre as novas propostas de inovação para o sistema financeiro, precisamos falar sobre o LIFT.

LIFT – Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas

O LIFT foi criado em 2018 e desde então já foram criados 50 protótipos por meio da plataforma, dentre eles temos o PIX e o Open Banking que já estão ativos.

Em 2021 aconteceu a quarta edição do LIFT Lab, iniciativa coordenada pelo Banco Central em parceria com a Federação Nacional de Associações de Servidores do Banco Central.

Esse evento coleta, estuda e desenvolve protótipos de propostas alinhadas à agenda do Banco Central, como inclusão, sustentabilidade, transparência, educação e competitividade.

Para este ano foram selecionados 11 projetos, veja alguns exemplos abaixo:

Centralização para pagamento de tributos através da Carteira Digital (Banco Útil)

Carteira digital corporativa focada no pagamento de tributos das empresas. Atualmente tem mais de 150 clientes pagantes, que conseguem compensar seus tributos em até 15 minutos todos os dias da semana.

Empoderamento do cliente bancário

Projeto visa provar instituições financeiras com inteligência para oferecer gestão de finanças pessoais a seus clientes.

Finanças para entregadores e motoristas (Plific)

Solução financeira feita para entregadores e motoristas de aplicativos. Na Plific, poderão sincronizar suas contas nos diferentes aplicativos e acompanhar o quanto lucraram no dia, na semana e no mês.

Formalização da Operação de Crédito 100% Digital

Coletas de documentos, extração da informação do documento para validação com bases da Receita Federal, prova de vida, facematch, aceite dos termos do contrato e assinatura por voz com reconhecimento do áudio.

Observatório Amazônia

Aprimoramento de uma plataforma web confiável, acessível e intuitiva que permita a interoperabilidade de serviços e integração de dados geoespaciais. Promove o monitoramento e a gestão de dados no território da Amazônia Legal.

Plataforma de Investimento e Gestão de Nano Negócios (Grana Solidária)

Conecta investidores e nano-empreendedores, dando acesso a microcrédito fácil e de juros acessíveis e apoio para gerir o negócio.

RBDC – Real Backed Digital Currency

Pretende trazer experimentos práticos quanto à viabilidade de representação de moeda eletrônica em redes blockchain, assim como permitir uma visão crítica sobre os desafios e conveniência da interoperabilidade PIX – blockchain.

Soluções Integradas de Câmbio para Investimento, Hedge e Comex (Banco Adenom)

Modelo de negócios de um banco comercial especializado em câmbio. Serão ofertados produtos diferenciados, incorporando diferentes moedas estrangeiras, em formatos coerentes com as metas dos clientes.

Com novos serviços financeiros e com o segmento de fintechs aquecidos, vivemos um movimento extremamente positivo no contexto de inovação experiências para o setor. Essa transformação digital e inovação nos serviços financeiros vai nos fornecer um ecossistema ainda mais digital, mais rápido e com maior fluidez.

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EVA: entenda por que é mais importante que o EBITDA e o Lucro Líquido https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/eva-valor-economico-adicionado/ https://dev.blbescoladenegocios.com.br/blog/eva-valor-economico-adicionado/#comments Thu, 23 Sep 2021 13:53:08 +0000 https://www.blbbrasil.com.br/blog/?p=21018 Notice: Trying to access array offset on value of type bool in /var/www/html/blog/wp-content/plugins/wp-word-count/public/class-wpwc-public.php on line 123
EVA: entenda por que é mais importante que o EBITDA e o Lucro Líquido

Neste artigo apresentaremos com conceitos e exemplos práticos uma maneira de calcular o Valor Econômico Adicionado (EVA) e suas implicações. Uma medida bem sucedida de desempenho avalia uma organização em relação aos seus objetivos. Normalmente, presume-se que o principal objetivo das organizações é a maximização do valor entregue aos acionistas. Na prática, muitas organizações usam […]

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EVA: entenda por que é mais importante que o EBITDA e o Lucro Líquido

Neste artigo apresentaremos com conceitos e exemplos práticos uma maneira de calcular o Valor Econômico Adicionado (EVA) e suas implicações.

Uma medida bem sucedida de desempenho avalia uma organização em relação aos seus objetivos. Normalmente, presume-se que o principal objetivo das organizações é a maximização do valor entregue aos acionistas.

Na prática, muitas organizações usam medidas baseadas no lucro e em outras métricas contábeis como as principais maneiras de medir o desempenho. Temos então dois grandes problemas relacionados a esse tema: 

  1. O lucro não leva em consideração o custo do capital investido no negócio. As empresas só geram riqueza de fato quando entregam um retorno superior ao exigido pelos seus financiadores – sejam eles sócios ou bancos. Nas demonstrações contábeis, o lucro leva em consideração o custo do financiamento de dívidas, mas ignora o custo do financiamento de capital próprio (patrimônio líquido). 
  2. Os lucros calculados de acordo com as normas contábeis não refletem verdadeiramente a riqueza criada. Eles estão sujeitos ao uso de normas contábeis que visam não a apuração real do lucro, mas sim evitar fraudes. Além disso, os valores contábeis podem ser distorcidos por parte da contabilidade.

Como então descobrir o real valor que a empresa entrega no final do ano aos seus acionistas?

Valor Econômico Adicionado (EVA)

Desenvolvido pela consultoria Stern Value Management em 1985 e adotada desde então por grandes empresas como Coca Cola, Whirlpool e DuPont, o EVA (Economic Value Added) mede a diferença entre a taxa de retorno do capital e o custo de capital. Ou seja, é o excesso de lucro acima do custo de capital, gerado pela empresa, ajustado pelos impostos. Esse indicador tenta capturar a verdadeira rentabilidade econômica da empresa. Dessa forma, também podemos chamá-lo de Lucro Econômico.

Em termos práticos, um EVA positivo implica que a empresa está criando valor para os acionistas. De maneira oposta, um EVA negativo significa que o negócio não está remunerando suficientemente o capital. É importante notar que uma empresa pode ter lucro líquido positivo e mesmo assim ter um EVA negativo.

Como calcular o Valor Econômico Adicionado (EVA)

Calculamos o EVA por meio da seguinte fórmula:

Onde:

NOPAT = Lucro operacional após impostos ajustados. O Lucro operacional é calculado como Receitas – Custos – Despesas operacionais;

WACC = Custo médio ponderado de capital;

O capital investido é o patrimônio líquido somado à dívida líquida (DL). Ela, por sua vez, nada mais é do que o somatório das dívidas (curto e longo prazo) com caixa e equivalentes de caixa.

Considerações adicionais de cálculo para o Valor Econômico Adicionado (EVA)

Olhando para o EVA sob a ótica do Retorno sobre o Capital Investido (ROIC), podemos abordar o cálculo com a seguinte fórmula:

Podemos calcular o ROIC por meio da seguinte fórmula:

O lucro operacional após impostos (NOPAT) também pode ser apresentado como função do capital investido, dando-nos assim a fórmula:

Levando-nos finalmente a:

Valor de mercado agregado (MVA)

Do EVA deriva-se também um outro indicador muito utilizado, sobretudo em empresas de capital aberto: o Valor de Mercado Adicionado (MVA). A diferença fundamental é que o MVA mede a projeção dos lucros econômicos a valor presente, enquanto o EVA mede lucro econômico em um período específico.

Podemos apresentar o cálculo com as seguintes fórmulas:

E

Vantagens e desvantagens do EVA

O Economic Value Added (EVA) é um indicador de desempenho útil, pois o cálculo mostra se a empresa criou riqueza por meio de itens do seu balanço. Dessa forma, a abordagem EVA força a administração a ser mais responsável pelos ativos e despesas na tomada de decisão.

O cálculo depende em grande medida da quantidade de capital investido e, portanto, é adequado para empresas com grandes balanços e ativos reais. Negócios com substanciais ativos intangíveis, como empresas de tecnologia, geralmente não são bons candidatos para o EVA.

Em cenários mais complexos, os ajustes podem se acumular indefinidamente. Nesse caso, o cálculo do EVA pode se tornar muito complicado e demorado.

Uma das desvantagens mais significativas para o cálculo do EVA é que ele olha apenas para o período medido e não é preditivo do desempenho futuro.

Agora que você já entendeu o que são EVA e MVA, vamos partir para um exemplo prático a fim de ilustrar melhor a dinâmica desses indicadores. Além disso, preparamos especificamente para esse artigo uma planilha para você calcular o EVA da sua empresa.

Cálculo EVA de exemplo

Para calculá-lo, vamos precisar das seguintes informações:

O próximo valor de que precisamos é o Capital Investido.

Tendo o NOPAT e o Capital Investido, precisamos apenas calcular o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC). Não entraremos em muitos detalhes aqui, pois já cobrimos o WACC em um artigo separado, que você pode ler aqui.

Agora que temos todos os elementos necessários para calcular o EVA, podemos fazer a seguinte fórmula:

Como falamos anteriormente, é possível calcular o EVA pela multiplicação do capital investido com a diferença entre o ROIC e o WACC:

Repare que tanto pela ótica 1 quanto pela ótica 2 obtemos o mesmo resultado. Nesse exemplo fictício, a empresa gera $1.234 de NOPAT e “somente” $307 de EVA. Isso quer dizer que 75% do NOPAT serviu para remunerar o capital.

Conclusão

O EVA é uma métrica importante na modelagem e análise financeira. Nós o usamos como um indicador de quão lucrativos são os projetos e serve como um refletor do desempenho da gestão.

A ideia por trás do EVA é que as empresas só são lucrativas quando criam riqueza para seus acionistas, e a medida vai além do lucro líquido. O cálculo do EVA visa garantir que o negócio gere retorno acima do seu custo de capital.

Agora convidamos você a compartilhar este artigo com colegas e amigos que podem aproveitar o conteúdo. E não esqueça de baixar a planilha editável em Excel que preparamos para você poder calcular o EVA de qualquer empresa!

Raphael Bloch Belizario
Consultor em Fusões e Aquisições da Divisão Societária e de M&A
Grupo BLB

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